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Sindrome do Túnel cárpico

 

O Que é o Túnel Cárpico?

É um compartimento anatómico rígido, localizado na face anterior do punho. O seu pavimento e as suas paredes são constituídos pelos ossos do carpo e o seu tecto formado em toda a extensão, por uma estrutura espessa e rígida: o ligamento transverso anterior do carpo.

Dentro deste túnel, passam profundamente junto ao seu pavimento todos os tendões flexores dos dedos envoltos nas suas bainhas sinoviais e mais superficialmente o Nervo mediano.

Durante a flexão e a extensão do punho e dedos, há uma excursão no interior do canal, de mais ou menos 15 mm do nervo mediano e de 50 mm dos tendões flexores dos dedos, deslizando estes entre as suas bainhas sinoviais e o nervo mediano.

As forças aplicadas no interior deste canal rígido, deformam mecanicamente o nervo mediano, que no caso de existir uma causa que diminua o espaço no interior do canal cárpico, cria-se um aumento da pressão sobre o nervo mediano, que pode diminuir o aporte sanguíneo segmentar. Em condições normais a pressão a que o nervo é sujeito dentro do canal é de 2,5 mmHg.

Nas situações de estenose (aperto) do canal, os valores médios sobem para 35 mmHg,  sofrendo um aumento para o triplo, sempre que o punho se encontra em extensão ou flexão máximas.

                                                       

As Causas e os Sintomas do Síndroma

A causa mais frequente de redução do canal cárpico e consequente compressão do nervo mediano no seu percurso neste, é o alargamento/espessamento do ligamento transverso anterior do carpo, motivado tanto por factores degenerativos ou na mulher associado a alterações hormonais relacionados com menopausa ou funcionamento da tiroide.

A tenosinovite dos tendões dos flexores dos dedos, as sequelas de fracturas do punho/mão, a neuropatia diabética ou a artrite reumatóide, são também causas promotoras relevantes.

As queixas mais frequentes associadas a este compromisso, são sem dúvida a dormência nocturna semelhante a queimadura, associada a dor no punho e mão. Este "formigueiro" associa-se a inchaço global dos dedos/mão, com perda da sensibilidade (dedos surdos) tipicamente dirigido aos dedos polegar, indicador, médio e parte do anelar.

Tipicamente as queixas surgem e agravam-se no período de repouso nocturno, obrigando com frequência, o despertar do doente, e à necessidade de se levantar, para mobilizar a mão e o punho, logrando algum alívio.

 

TRATAMENTO DO SINDROMA DO TÚNEL CÁRPICO

Conservador

Nas situações com queixas clínicas mais moderadas ou com sintomatologia intermitente, o tratamento poderá ser de carácter conservador, consubstanciado na eventualmente utilização de talas para estabilização articular do punho no período nocturno ou na toma limitada de anti-inflamatórios. As infiltrações com corticóide, poderão ter apenas um alívio temporário, sendo de considerar nos casos de tenosinovite dos flexores.

Cirúrgico

Existindo uma alteração estrutural anatómica, a única solução é o tratamento cirúrgico; principalmente nos processos de maior agressividade das queixas clínicas e refractários a qualquer protocolo terapêutico médico. 

A intervenção cirúrgica é efectuada frequentemente com anestesia local e o procedimento cirúrgico consiste no alargamento significativo do túnel, para uma ampla libertação do nervo mediano. Através de uma pequena incisão cutânea inferior a dois centímetros, faz-se a remoção parcial do ligamento transverso anterior do carpo.

No final, o encerramento da incisão operatória é feito utilizando uma sutura estética, e se adequado à tipologia do doente, este tem alta quinze minutos após o procedimento, com a mão praticamente livre para continuar a desenvolver gestos simples da sua vida de relação.

Normalmente aos quinze dias de pós-operatório e depois de desenvolver um protocolo simples de recuperação funcional no ambiente do seu domicílio, o doente tem capacidade funcional para retomar todas as suas actividades da vida de relação e também a generalidade das de carácter laboral.

O diagnóstico de síndroma do túnel cárpico, é estabelecido fundamentalmente com base em critérios de ordem clínica e se necessário complementado pela informação do electromiograma.

 

Salvo raras excepções, o tratamento é cirúrgico e deve ser realizado precocemente, de modo a não se estabelecerem sequelas neuropáticas, por vezes irreversíveis.

Nos últimos anos, desenvolveram-se técnicas mini-invasivas, para o tratamento do túnel cárpico, com recurso a video-imagem. Contudo, e contrariamente à evolução técnica, a Clínica da Mão, não utiliza esta "inovação", pois existem riscos acrescidos de lesão nervosa ou incompleta libertação nervosa. Estas complicações podem originar sequelas muito mais graves e de maior complexidade de resolução.

Termina-se com a opinião: "se tivesse um túnel cárpico, não seria tratado por técnica  artroscópica".

                                                                                                                                                         José Alexandre Marques, Dr.